Procurando, há dias na internet, sítios que se referissem à Beselga, apareceu-me o poeta Fernando Paixão. Nasceu na Beselga em 1955 e emigrou para o Brasil, S. Paulo, em 1961 na companhia do pai, João de Deus, e da mãe, Maria do Carmo. Formou-se em Jornalismo e defendeu tese sobre Mário de Sá Carneiro.
Publicou Rosa dos Rumos, O Que É Poesia, Fogo dos Rios, 25 Azulejos, Poesia a Gente Inventa, Poeira. Com este último volume venceu em 2001 o Prémio de Poesia concedido pela Associação Paulista de Críticos de Arte.
Aqui ficam alguns poemas de um dos seus livros, enquanto esperamos mais notícias deste nosso ilustre conterrâneo.
A lua é da noite
A lua é da noite
Os peixes das águas
Só as palavras são
do homem.
Vagas que preenchem
O declive dos vazios.
Fosse Rio
Fosse rio
abraçaria o mar.
Fosse mar
abraçaria o ar.
Fosse ar
abraçaria o fogo.
Seria então
Todo.
Breve minha alma
Breve minha alma
há-de ser água
e essa água
terra.
Como um dia veio
da terra
a água da minha
alma.
Vêm da Terra os Legumes
Vêm da Terra os Legumes
Morrer no silêncio da sopa
Incendeiam sabores
na língua
E iluminam trevas
Na boca.
Descobri a morte aos poucos
Descobri a morte aos poucos
Imagens que ceifam como foices
Repentinos amanheceres
Torcidas árvores
E frutas podres.
Fui provando
Seus sabores.
Não se Revê a Imagem
Não se revê a imagem
do espelho
na mesma lâmina.
Não se vê a mulher
duas vezes
com o mesmo espanto.
Não se vê o outro
em si próprio:
à procura do mesmo.
In Fogo dos rios. 2.ed. São Paulo: Brasiliense, 1991.

