O Município de Penedono está a trabalhar intensamente na certificação da JUNÇA
da BESELGA. Trata-se de uma fibra vegetal que nasce espontaneamente nas
montanhas de Penedono e vai assumir um papel dinamizador da geração de riqueza.
A partir do trabalho de cestaria realizado com a junça foi possível elaborar
propostas de criação de artigos de decoração extraordinários que constituirão em
breve ativos de valor acrescentado para a região.
As fibras vegetais, tal
como os bordados de Guimarães, de Viana do Castelo, o figurado e a olaria de
Barcelos, bem como os lenços de namorados do Minho, vão agora conquistar o
reconhecimento que a certificação de origem vai permitir. Um passo mais na
qualificação de uma arte e de um produto que atravessou gerações e constitui um
fator de afirmação cultural.
Os produtos de artesanato são elementos
identitários de uma cultura, assumindo múltiplas formas, expressas em materiais
geralmente simples, como simples são as mãos que os produzem. Em barro, madeira,
têxteis, ferro, metais preciosos e outros materiais, os produtos transmitem
sentimento e evocam habitualmente a arte e tradições populares. Estima-se que
actualmente cerca de 80.000 pessoas estejam regularmente ligadas ao artesanato e
façam dele uma fonte de recursos para a sobrevivência das respectivas
famílias.
A crise económica em que o país se encontra, com o encerramento
de milhares de empresas e o aumento do desemprego veio relançar a importância do
artesanato como setor de importância estratégica para as pequenas economias
locais, possibilitando a sustentabilidade de milhares de trabalhadores.
O
desenvolvimento do turismo criou uma nova oportunidade para o artesanato já que
os turistas e visitantes apreciam os produtos da criatividade popular e tendem a
adquiri-los como recordações da sua passagem por Portugal. Veja-se o quanto
significa o Bordado da Madeira e dos Açores, os Lenços de Namorados do Minho, a
Olaria, o Figurado de Barcelos e quanto significam já, o Bordado Guimarães e o
Bordado de Viana do Castelo.
Quando um turista adquire um produto de
artesanato faz aumentar as exportações portuguesas. Não se conhece contudo a
dimensão e o significado desses valores dada a ausência de estudos sobre estas
transacções e a sua influência na balança portuguesa.
A Madeira e os
Açores possuem alguns elementos sobre as vendas dos bordados
pois os respectivos governos organizaram o sector e têm-no controlado de forma
notável com ganhos evidentes para todos. Seria oportuno também no Continente
considerar as vantagens de organizar o sector e reforçar a sua acção na
economia. O seu contributo será uma alavanca importante no domínio das
exportações, da empregabilidade e da sustentação das microeconomias
locais.
Do Minho ao Algarve, passando pelas Ilhas dos Açores e da
Madeira, o artesanato português possui uma extraordinária capacidade de encantar
e de mobilizar os nossos sentidos para a arte e cultura populares ancestrais
dando-lhe uma modernidade com o contributo dos novos designers que têm vindo a
envolver-se também na qualificação da arte popular.
É essencial manter a
memória colectiva da herança recebida e transferir aos vindouros essa arte
popular única. Teremos o dever de não adulterar a essência e originalidade de
cada produto e de garantir o futuro. É assim necessário evoluir para uma
protecção inteligente do artesanato português.
Importa, por isso,
promover e garantir a acreditação dos artesão, recorrendo a instrumentos
robustos, aceites e respeitados por todos. A Carta do Artesão assumiu
naturalmente o início de um caminho necessário e útil, contudo, não poderemos
ficar apenas por uma das etapas das muitas que é necessário seguir.
A
certificação requer também muito rigor e profundidade da defesa dos direitos
ancestrais. A origem de um produto de artesanato deve estar devidamente
garantida por estudos técnicos e científicos da verdade histórica sobre a sua
origem. É por isso indispensável consolidar os processos de certificação com os
levantamentos históricos adequados e cientificamente inabaláveis. A Formação
Profissional para os vários domínios do Artesanato, terá que integrar os
conhecimentos novos que a investigação histórica venha a
detectar.
Fomentar o artesanato certificado e com garantia requer
unidades produtivas dinâmicas sustentadas num sistema fiscal justo e apoiado por
um sistema financeiro que tenha a sensibilidade e compreenda o alcance do
desenvolvimento do artesanato.
A junça da Beselga será em breve, um produto
de artesanato certificado, que em muito contribuirá para manter o património
cultural do país.
Muita atenção e boa semana.