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sexta-feira, 6 de maio de 2011

UM OVNI NA BESELGA!!!

11 REGRAS PARA UMA GERAÇÃO À RASCA!

Regra 1 – A vida não é fácil: – habitua-te a isso.

Regra 2 – O mundo não está preocupado com a tua auto-estima. O mundo espera que faças alguma coisa útil ANTES de te sentires bem contigo mesmo.

Regra 3 - Não ganharás 10.000 euros por mês assim que s...aires da escola. Não serás vice-presidente de uma empresa com carro e telefone à disposição enquanto não os tiveres ganho por ti próprio.

Regra 4 - Se achas teu professor duro, espera até teres um Chefe.

Regra 5 – Virar frangos ou trabalhar durante as férias não está abaixo da tua posição social. Os teus avós têm uma palavra diferente para isso: eles chamam-lhe de oportunidade.

Regra 6 - Se fracassares, não é culpa dos teus pais. Então não lamentes os teus erros, aprende com eles.

Regra 7 - Antes de nasceres, teus pais não eram tão chatos como são agora. Eles só ficaram assim por terem de pagar as tuas contas, lavar tuas roupas e ouvir-te dizer como tu és fixe (e eles são “ridículos”). Por isso antes de ires salvar o planeta para a próxima geração, querendo consertar os erros da geração dos teus pais, experimenta arrumar teu próprio quarto.

Regra 8 – A tua escola pode ter eliminado a distinção entre vencedores e perdedores, mas a vida não. Em algumas escolas já não chumbas e tens tantas chances quantas precisares até acertares. Isto não tem a mais pequena semelhança com absolutamente NADA na vida real. Se não fizeres bem, estás despedido… RUA!!!!! Faz as coisas bem à primeira

Regra 9 - A vida não é dividida em semestres. Não terás sempre os verões livres e é pouco provável que algum patrão esteja minimamente interessado em que te "encontres". Trata disso no teu tempo livre.

Regra 10 – Televisão NÃO é vida real. Na vida real, as pessoas têm de sair do bar ou da discoteca e ir trabalhar.

Regra 11 – Sê simpatico com os marrões (aqueles estudantes que os demais julgam que são uns totós). Existe uma grande probabilidade de que venhas a trabalhar PARA um deles.

"Dumbing Down our Kids" by educator Charles Sykes

OS VERDADEIROS E LEGÍTIMOS GAITAS

quarta-feira, 4 de maio de 2011

O ARTESANATO


A Beselga é uma das nove freguesias do concelho de Penedono no distrito de Viseu. Situada na base da Serra do Sirigo, junto da Estrada Nacional nº 229, dista cerca de 8 km de Sernancelhe, 25 de Trancoso, 65 de Viseu e 6 da sede do concelho.

A Ribeira da Dama, com barragem de regadio desde a década de 60, determinou a actividade principal das gentes desta aldeia.

A capela do Senhor dos Passos, à entrada da povoação, é a primeira imagem que se recolhe e o beselguense habituou-se a guarda-Ia na memória como "ex-libris" sagrado nas suas fatídicas e frequentes jornadas de viandante.


ORIGEM
A religiosidade poderá, aliás, ajudar a esclarecer o étimo BESELGA. Em boa verdade, junto à ribeira, na Devesa, há testemunhos da longevidade beselguense: moinho, ponte e calçada roman(ic)a (?), fonte, capela e cemitério não muito longe das OLGAS.

Também junto à "Ponte da Senhora" teria havido uma capela da Senhora das lameiras, um cemitério e um passal. Esta "Senhora" terá a ver com a ideia sacra de N.º Senhora? Ou ligar-se-á tão só à ideia de "Dama" (nome da ribeira) ou "dona" da medieval Mumadona, senhora de Penedono de há cerca de dez séculos atrás? ...

Pela religiosidade intrínseca à índole popular, parece-me que podemos pensar na evolução de uma basílica que viria da romanização. Nas OLGAS teria começado a Beselga de nossos dias.

Atente-se na possível evolução do vocábulo: BASILICAM > BASILICA> BASILIGA > BASILGA > BASELGA > BESELGA.

Assim, não só a basílica ( = igreja), mas, por alargamento de sentido, a "populatura" medieval que a circundava, teriam tido esta origem.


A JUNÇA

A junça é uma planta que nasce espontaneamente nalgumas serras da região. Era sobretudo na zona de Trancoso que os beselguenses a procuravam.

Ajustadas as condições de arranque com o dono das penedias, partia toda a numerosa família para umas semanas de vida ao ar livre. Normalmente havia uma corte (casebre) no meio do monte onde eram improvisadas camas e onde se guardavam os parcos haveres que deveriam dar para fazer o caldo e as batatas que alimentariam a família, neste despovoado, durante o tempo da colheita da junça.

Arrancava-se a junça enrolando um pau na parte inferior das plantas e puxando. Ao cabo de três ou quatro semanas, conforme o número de participantes, poder-se-ia obter uma centena de molhadas de junça.

Era então altura de regressar para tratar do transporte: com burros, machos ou carros de bois conforme a quantidade e as possibilidades. Mais tarde, as camionetas ainda aprenderam estes caminhos de ceireiros. Os robustos tractores já não vieram a tempo de ajudar nestas lides: quando chegaram à aldeia, na década de 70, já não havia carradas de junça que justificassem o seu uso.

Chegada a junça à aldeia, era exposta aos últimos raios de sol outonal, para secar, no Adro de Cima, no Quintal da Donana, nas "laijas" já desocupadas das malhadas, ou junto aos palheiros do cemitério.

Depois era guardada nos palhais ou lojas para, molhada a molhada, ir saindo, à medida que era necessária no serão.


O SERÃO

Em todas as ruas da aldeia havia um serão. Serão, entendamo-nos, era não só a actividade que se desenrolava à noite, mas também o local, a loja ou palhal, em que se juntavam cerca de cinco ou seis pessoas para trabalhar a junça.

Quase todos os serões obedeciam às mesmas regras. Havia quase sempre um animal (burro, macho ou cavalo) que ia comendo. enquanto as pessoas se dispunham à roda, sentadas no chão. Várias camadas de palhuço ou estrume, cobertos superficialmente por desperdícios de junça, atapetavam o chão. No centro, dependurada numa corda presa à trave, a candeia ia alumiando os presentes.

Enquanto faziam as ceirinhas, trabalhavam na corda, tosquiavam as pontas de junça indesejadas nos artefactos já prontos, ou faziam tapetes na banca, os ceireiros conversavam, riam-se e, às vezes rezavam. Mas também era frequente o namoro.

De vez em quando, os rapazes que tinham andado a ganhar o dia, na sua "volta ao povo", passavam pelo serão. Traziam cartas que haviam obtido no correio (a taberna do "chefe" às sete e meia), vinham dar um recado, traziam o trigo quente com açúcar que haviam acabado de comprar no forno, ou , pura e simplesmente vinham ver as suas namoradas. Às vezes, as brincadeiras eram autênticos espectáculos de revista à portuguesa, embora improvisados e inspirados no quotidiano aldeão.

O serão decorria essencialmente à noite, depois do terço ou da chegada do correio e terminava pontualmente com as doze badaladas do relógio da torre que anunciava o fecho dos serões.

Mas era também frequente ir-se para o serão logo pela manhã e, aí, continuar todo o dia, sempre que a necessidade de mercadoria se fazia sentir.

O VENDEDOR
Lá por longe, do Alentejo ao Minho, andava o chefe de família. Partira com o animal e urna carga para as primeiras despesas. Combinados com a família os primeiros passos do itinerário, lá ia aguardar, nos locais aprazados, os reforços de mercadoria que, da Beselga, a família lhe ia enviando. Faziam-no essencialmente pelo combóio. A mercadoria era entregue na Beselga a uma camioneta de carga que fazia a ligação com Viseu, três vezes por semana. Aí, os capachos e ceiras eram despachados através da CP para as estações em que os maridos aguardavam.

Ainda nos primeiros anos da década de sessenta, havia centenas de fardos de mercadoria que ladeavam os muros do "Chão da Igreja" no adro de baixo à espera da "camioneta dos Carvalhos". Em anos anteriores ia-se de carro de bois até à Régua.

Em alguns casos, bicicletas com suportes reforçados davam uma ajuda aos vendedores. Percorriam enormes distâncias, conheciam Portugal e só não há noticia de palmilharem o Baixo Alentejo e Algarve.

Depois de quatro ou cinco meses de nomadismo, regressavam à aldeia com o apuro de toda esta epopeia. Era altura de preparar a terra para novo ciclo agrícola e fazer férias de ceireiro.

Com eles vinham as histórias protagonizadas ou presenciadas por longínquas paragens. Vinham notícias do mundo que calcorrearam, perante o ar de espanto dos familiares.

A DECADÊNCIA

Mas as ceiras e capachos da Beselga estavam condenados. A emigração destruiu a célula familiar tradicional. O marido começou por ir para o Brasil e mandar ir, depois, a restante família.

Na década de sessenta foi o êxodo em massa para França. Famílias inteiras abandonaram a aldeia. Na década de setenta a Suíça levou todos os que não tinham profissão especifica.

Se somarmos a isto, a diminuição drástica da natalidade e a deslocação para as cidades, verificaremos que a aldeia é hoje um cemitério vivo dos ceireiros que na velhice vivem de recordações...

Mas se o desaparecimento das pessoas é uma das razões essenciais, a evolução tecnológica matou também os produtos da junça: os capachos de plástico são mais limpos e mais baratos, os lagares de azeite têm ceiras de produtos mais resistentes...

Os ceireiros não foram preparados para estas concorrências. Para dar a volta, era necessário dinheiro e apoio estatal que não se vislumbra. Algumas acções da CEE são feitas por folclore, para dar esmolas aos novos servos da gleba que se pretendem domesticados para épocas eleitorais, mas sem nunca se esforçarem por resolver o problema de maneira estrutural e eficiência para o futuro.

Enquanto se assiste à morte de uma geração de ceireiros que eram autênticas celebridades do meio, outras causas ditaram o golpe de misericórdia neste tipo de artesanato.

Na década de oitenta, uma camioneta apareceu na Beselga. Era de um comerciante dos lados do Porto. Perguntou o preço da junça ao kilo. Ninguém queria acreditar que fosse uma pergunta com senso. O comerciante insistiu. Foram-se fazendo contas e lançou-se um preço por alto. O camionista comprou toda a junça que apareceu na aldeia. Na relutância de alguns, outros ajudavam convencendo os renitentes a vender por ganharem mais assim e sem fazerem o trabalho...

Mas como se havia de passar o tempo dos serões sem junça para entreter as mãos?!... O que é certo é que o homem veio de novo no ano seguinte e voltou a levar tudo. Era para fazer vassouras; diziam alguns. Mas o que é ,indiscutível é que este negócio foi a ...vassourada...fatal na já débil actividade ceireira.

A camioneta do comerciante já não vem â aldeia: a última vez que veio já encontrou muito pouca junça que não justificou a viagem assassina. Ainda bem.

Apesar disso, os ceireiros são cada vez menos. Estes últimos anos têm saído muitos epitáfios nos jornais:o Manel da Portela, o Zé Chena, a Veríssima, os Jaquetas, o Sr. Mário, a Pilar, a Miquelina, o Malóio, o Laranjinha, o Olímpio, a Satota...

Mas outros vão morrendo em silêncio. Como a actividade ceireira que lhes deu trabalho, pão e notoriedade durante mais de dois séculos...

Texto:Mário Lourenço

sexta-feira, 29 de abril de 2011

sexta-feira, 15 de abril de 2011

O "FENÓMENO" DE ALBANO BEIRÃO! (Tudo isto aconteceu muito próximo da Beselga)









Doença continua por explicar
Albano, o "Homem-Macaco"


Albano Beirão era um homem invulgar. Tão invulgar que se tornou uma referência, uma lenda, um ponto turístico. Aveloso, uma pacata aldeia no concelho da Meda, foi o seu berço e, há quem duvide, é ali que repousa para sempre. Enquanto foi vivo pouco mais teve senão dissabores. Uma doença sem igual foi a sua distinção, um cognome o reconhecimento. Conheça a história do famoso "Homem-Macaco" que afinal era «bom e caridoso».

Corria o ano de 1882. Na serena aldeia de Aveloso, no concelho da Meda, nascia uma criança de nome Albano de Jesus Beirão, filho de um asturiano fugido de Espanha e de uma pobre rapariga do campo. Aparentemente nada o diferenciava das outras crianças, no entanto cedo se veio a desconfiar que o seu nome iria alterar para sempre a vivência daquela gente. À idade dos sete anos, tinha há pouco tempo entrado para a escola, Albano Beirão viu-se acometido de uns ataques que o deixavam sem conhecimento. Pulava, rebolava, subia às paredes e uivava desalmadamente. As pessoas começaram a receá-lo, fugiam mesmo dele. À escola não voltou porque os alunos não iam se ele por lá aparecesse e o professor seguiu o exemplo dos pupilos. Ficou-se por ali a sua vida escolar, mas também a sua paz e a oportunidade de ser uma criança igual às outras.

Frequentemente, cerca de duas vezes por dia, sofria de um ataque sem nome. As pessoas chamavam-lhe "o mal", "um espírito" que vivia nele. Lembram-se que «perdia peso e dava saltos enormes», era também dono de «uma força tremenda» e «os uivos estarreciam qualquer pessoa». Isto durou até à idade dos 50 anos, altura em que "o mal" desapareceu tão repentinamente quanto aparecera. A doença nunca foi explicada e a população ainda hoje não sabe de que sofria o "Albaninho". Sabe-se apenas que, depois de todo o país ter conhecimento do seu caso, e para estudar a sua doença, foi nomeada uma comissão científica que com ele correu toda a Europa. A comissão integrava três médicos, que o acompanharam aos principais focos de investigação científica como a Itália, Inglaterra, Alemanha, Rússia, Espanha, Bélgica e Suíça. Desta missão nunca se souberam os resultados, tendo permanecido no segredo dos deuses qual seria o "mal" que atormentava o então denominado "Homem-Macaco".

«Era um homem bom e caridoso»

Maria de Lurdes Ferreira, 56 anos, era «sobrinha em segundo grau» de Albano Beirão. Quando nasceu já o tio não sofria da doença desconhecida, mas assegura que conhece de cor as suas aventuras, a mãe deixou-lhe de herança as histórias.

«Havia muitas pessoas que tinham medo dele», recorda, «mas eu não, nunca me fez mal nenhum». Recorda-se que «às vezes pedia-lhe para fazer qualquer coisa para nós vermos», mas ele declinava afirmando que «agora já não, o Estado já me dá mais ou menos o que quero». No entanto diz que o ouviu dizer que «quando não tinha o que queria bastava pedir-lhes que eles davam-me, porque aquelas pessoas lá em Lisboa tinham medo de mim». Lembra-se também de ouvir contar que «foi uma ocasião para África mas deitaram-no do barco para fora», então, «passou as águas do mar por baixo de água até ao destino». Também foi em África que ele «conseguiu combater com os leões sem nunca ter um ferimento».

A sobrinha é mais uma das pessoas que não sabe explicar a razão porque o tio era acometido de tais ataques. «Aquilo era espírito ruim que andava com ele», afirma, «quando lhe dava aquilo não havia nada que ele não fizesse». Até contam uma história de ele andar aos coices numas bestas que estavam presas na Meda e de «subir ao pelourinho com a cabeça para baixo e pernas para cima e quando chegava lá em cima fazia um pino». «Não havia fenómeno como ele», assegura, «levantava-se só com roupa interior, em ceroulas, e nunca rompeu a roupa». E relata ainda outro feito do tio: «Havia ali um cabeço em cima a que chamávamos a Fonte Nova, que tinha covas de raposas, ele metia-se lá para dentro, tirava de lá as raposas e as crias e ficava lá sem medo nenhum». Depois, para sair é que já era um problema, quando os ataques terminavam. Nessas ocasiões, Albano Beirão não tinha outro remédio senão esperar que o "mal" regressasse, para ter coragem de sair e enfrentar as feras.

«No fundo era um homem bom e amigo da caridade que nunca fez mal a ninguém», afirma. A alcunha de "Homem-Macaco" diz que lhe foi "arranjada" em Lisboa, «porque aqui na província nunca o chamámos assim». O "Albaninho", como era conhecido nas redondezas, morreu em 1976, no Hospital da Guarda. A sobrinha tinha 37 anos e ainda se lembra bem da ocasião. «O caixão vinha selado e escorria muito sangue», recorda, «tenho cá para mim que ele não veio no corpo natural, porque ele sempre disse que tinha feito venda da cabeça aos alemães, para continuarem a estudá-lo».

Silvina de Almeida foi vizinha de Albano Beirão e é a pessoa que mais sabe sobre os feitos do "Homem-Macaco" enquanto este ainda sofria do "mal". «Ficava tal e qual um galgo, não conhecia ninguém, galopava e dava uivos que eram de estarrecer qualquer pessoa», recorda. Mas «era muito asseado». Quando lhe davam os ataques, «bebia toda a água que lhe dessem, em gamelas e baldes, limpa ou suja» e quando terminavam os ditos, «ele limpava-se todo, esmerava-se de baixo para cima». Silvina de Almeida lembra-se que a sua figura provocava receio nas pessoas, no entanto, «nunca ninguém se virou contra o homem, todos o respeitavam sobretudo com receio». A vizinha, depois, deixou de o ser quando foi para Coimbra estudar e no regresso já ele não tinha qualquer ataque.

Durante a sua ausência, Albano Beirão casou e teve duas filhas. «A primeira foi para um asilo em Lisboa onde morreu e a mulher fugiu e levou a outra filha». O Homem-Macaco «ficou completamente sozinho». Terá sido isto causado o fim dos ataques? Quem sabe?

Maria João Silva

quinta-feira, 7 de abril de 2011

OS CEIREIROS E A ARTE DE TRABALHAR A JUNÇA


Texto publicado no Boletim Municipal de Penedono, n.º141, de Março,Abril,Maio de 2010.
Autoria: Paulo Leitão

quarta-feira, 6 de abril de 2011

A BESELGA DE OUTROS TEMPOS!


Foto: Américo Afonso

Equipamento com a Cruz de Cristo ao peito... Muitos dos jogadores ainda são perfeitamente identificáveis!

quarta-feira, 30 de março de 2011

IN MEMORIAM DE FERNANDO E MÁRIO. DOS ANOS 60 AO PÓS 25 DE ABRIL DE 1974

Nos anos 50 a vida na minha aldeia Beselga-Penedono nas Terras do Demo e de Magriço girava muito à volta do artesanato de junça (matéria prima colhida nos montes, lá para os lados de Trancoso) com que se faziam ceiras para assento, outras para a prensa dos lagares de azeite e os capachos para a entrada das casas.
Este artesanato era, sobretudo, executado à noite nos serões e fazia parte dos recursos económicos dos beselguenses. Quem não trabalhava na junça podia igualmente entrar nos serões e assistir a conversas, cantares, brincadeiras, ajudar na manufactura do artesanato, por exemplo puxando à corda para tecer os capachos. Era também nos serões que os jovens se conheciam melhor e onde, muitas vezes, começavam e prosseguiam os namoros.
As escolas primárias eram outras referências da aldeia. Havia separação entre rapazes e raparigas, mas em certas alturas em que o professor Francisco Fonseca precisava sair, abria-se uma excepção e juntavam-se os alunos na escola das raparigas. As brincadeiras, tais como: a macaca, escondidinha, pocequito, pateiro, pião, carronda, etc. faziam parte dos momentos livres.
A televisão, em Portugal, iniciou as emissões regulares em 1957, porém, a Beselga como ainda não tinha luz eléctrica, só em meados da década seguinte viu os primeiros aparelhos, apenas acessíveis a alguns proprietários de estabelecimentos comerciais.
O Fernando Lopes mais conhecido por Fernando do Carqueija, além da escola, tinha de trabalhar para ajudar o pai – Sr. António Carqueija que era ceireiro e se deslocava por terras de Portugal para a venda do artesanato.

Como colega de turma da primária, lembro-me do Fernando das actividades escolares mas também das brincadeiras e das caminhadas para o Beleco, local onde ambos tinhamos propriedades. Relembro a apanha de frades, míscaros e castanhas.
O Fernando ajudou-me a fazer um “carro” das castanhas, executado com duas rodas de pau, um eixo de ferro constituído por uma barra ou um prego grande, um tirante também de pau em que a parte superior pousava sobre o ombro e uma haste atravessada em cruz e que funcionava como guiador. Com este “veículo” transportavamos as cestas e os sacos com o produto do dia.

O Mário Aguiar vivia perto da estrada. Esta sua ligação às vias de comunicação através do seu pai que era cantoneiro e a localização da sua casa onde, por vezes, eram guardados materiais e veículos da Junta Autónoma das Estradas terá influenciado, desde muito jovem, a mentalidade do Mário. Viseu, Lisboa, França, Brasil e África, desde cedo começaram a fazer parte do seu imaginário.
Em meados dos anos 60, ainda era menor de idade, transmitiu-me a ideia de que ía para Angola onde, na altura, havia conflitos relacionados com os movimentos independentistas. Acompanhei-o nos últimos dias, antes da sua partida, nomeadamente à capela do Sr. Senhor dos Passos onde foi orar, despedir-se e naturalmente desejar protecção.
Na altura, emigrar para África ou para o Brasil era praticamente sinónimo de dizer adeus para sempre.
Nada fazia prever que ambos nos reencontrássemos passados uns anos, fruto de mudanças históricas. O Mário acabou por regressar de Angola, como “retornado”. Eu próprio, entre finais de 1973 e quase finais de 1975 também era uma espécie de retornado ou regressado, sem perspectivas de emprego, visto que chegara da guerra de Moçambique, sem trabalho e sem formação.
O facto de haver muitos retornados das ex províncias a integrar, quer nos empregos de Estado, quer nas empresas particulares, acabou por dificultar a entrada no mercado de trabalho para todos os que iniciavam ou recomeçavam a vida activa.
Em Novembro de 1975 já o Mário Aguiar estava em condições para me poder ajudar. Cheguei a Lisboa, onde não conhecia praticamente nada. Foi este amigo que me arranjou estadia numa pensão na Avenida Duque de Ávila. Nos dias de folga fizemos alguns passeios e foi ainda com o Mário que assisti ao primeiro jogo de futebol num estádio da capital.
Este ano de 2010 a Beselga e a minha geração ficámos mais pobres. O Fernando e o Mário partiram ainda jovens, depois de doenças prolongadas. Deixaram recordações e saudades.


Texto de Alfredo Ramos

terça-feira, 29 de março de 2011

FEIRA MEDIEVAL DE PENEDONO - PRIMEIRO FIM-DE-SEMANA DE JULHO

No ano passado foi assim... este ano será ainda... muito, muito melhor! Viste Penedono no primeiro fim-de-semana de Julho e viage no tempo, embarque até à Idade Média... na Feira Medieval do Reino de Penedono!

A ARTE DO SR. ILÍDIO PAIXÃO